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Em 6 de julho de 1871 faleceu um dos poetas mais influentes do Brasil. Sua história é marcada por tragédias familiares, luta política, romances e bajulações. Conheça um pouco mais sobre a vida do poeta que encantou (e encanta) multidões. 

 

É bem provável que você tenha lido os poemas de Castro Alves ainda na escola, naquela aula de literatura onde se discutia a importância do Poeta dos Escravos. E é mais provável ainda que desde então ele tenha ficado meio esquecido. Este artigo tem por objetivo reviver a história do poeta do jeito que ela é: cheia de mudanças, tragédias familiares e romances, luta política, bajulações, sucesso e muita, muita poesia declamada “de improviso”. Esperamos que você volte a se encantar com seus versos belíssimos, apaixonados e revolucionários.

Contextualizando a história: Como era o Brasil lá pelo meio dos anos 1800?

Castro Alves viveu em um Brasil império de 4 milhões de habitantes. Deste número, nada mais nada menos que um milhão deles eram escravos. Naquele Brasil, existiam dois mil estudantes matriculados nas quatro escolas superiores existentes: duas de Medicina (na Bahia e no Rio de Janeiro), e duas de Direito (em Recife e em São Paulo).

O vai e vem da vida do poeta o possibilitou participar dos dois principais polos de ideias libertárias e do movimento estudantil da época. Frequentando as faculdades de Direito, tanto em Recife, quanto em São Paulo, fortaleceu seus ideais abolicionistas, de luta pelos direitos de homens e mulheres, de república e de democracia. Conviveu com expoentes da época como Tobias Barreto (seu rival) e Rui Barbosa. Conheceu José de Alencar e Machado de Assis, que eram fãs de sua poesia.

Sua poesia

Romântico, o poeta defendia em verso e prosa a liberdade para homens e mulheres, a República, a abolição e a democracia. Bebeu nas fontes de saber da velha Europa libertária como Byron e Victor Hugo.

Seu lirismo, patriotismo e linguagem cativaram um vasto público e o tornaram famoso aos 21 anos. Chorava em seus versos a dor dos escravos e assim manifestava toda a sua sensibilidade e sentimento de protesto contra a situação a qual os negros eram submetidos. Tornou-se, então, o “Poeta dos Escravos”.

O outro lado de sua poesia exaltava a beleza, exuberância e a sedução do corpo da mulher.

Parte I

Veja a Parte II da timeline aqui.

A Família

Nasceu no recôncavo baiano em Muritiba, BA, no dia 14 de março de 1847. Sua família era numerosa e influente: o pai, médico famoso e mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, foi também pintor e um dos fundadores da Sociedade de Belas-Artes na Bahia. Seu avô materno é considerado um dos heróis da Independência da Bahia, conquistada em 2 de julho de 1823.

Tinha 5 irmãos: José Antônio, Guilherme, João, morto prematuramente, Elisa Alves Guimarães, Adelaide de Castro Alves Guimarães (sua preferida), e a caçula, Amélia de Castro Alves Ribeiro da Cunha.

A mãe faleceu muito jovem, quando o poeta tinha apenas 12 anos. Um de seus irmãos, José Antônio, desesperou-se e tentou suicídio, pulando de uma janela. Essa história não tem um final feliz…

O pai casou-se novamente, em 1862, e levou a família para Recife. Lá, os ideais abolicionistas eram muito fortes e várias lideranças encontravam-se na capital. Em Recife, Castro Alvos tentou ingressar na faculdade de Direito por duas vezes, sendo rejeitado. (Isso mesmo! Castro Alves tomou bomba no vestibular!)

Nesse ano seu irmão José Antônio foi transferido para o Rio de Janeiro, com sintomas de desequilíbrio mental. Castro Alves o acompanhou e mudou-se para a cidade maravilhosa com o irmão, que se suicidou em 1864, em Curralinho.

 

Curiosidades

  1. Os cirurgiões e professores da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Andrade Pertence e Mateus de Andrade, amputaram o pé esquerdo do poeta sem qualquer anestesia.
  2. Sua última aparição em público foi em 10 de fevereiro de 1871 numa récita beneficente.
  3. É patrono da cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.
  4. Mário de Andrade e Pablo Neruda dedicaram-lhe ensaios.
  5. José de Alencar escreveu uma carta recomendando Castro Alves á Machado de Assis. Leia a carta original e a resposta de Machado de Assis também!
  6. “Espumas Flutuantes” foi a única obra publicada em vida por Castro Alves e se transformou na principal representante da poesia condoreira no Brasil.
  7. O primeiro endereço de Castro Alves em Salvador foi cenário de um crime inusitado: uma jovem foi assassinada pelo noivo, com uma bala de ouro, confeccionada para esse fim.

 

Veja mais sobre a incrível história de Castro Alves na Parte II deste artigo.