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Em 6 de julho de 1871 faleceu um dos poetas mais influentes do Brasil. Sua história é marcada por tragédias familiares, luta política, romances e bajulações. Conheça um pouco mais sobre a vida do poeta que encantou (e encanta) multidões. 

 

Como dissemos na Parte I deste artigo sobre Castro Alves, é bem provável que você tenha lido seus poemas ainda na escola, naquela aula de literatura onde se discutia a importância do Poeta dos Escravos. E é mais provável ainda que desde então ele tenha ficado meio esquecido.

Para revivermos a história do poeta do jeito que ela é, redigimos esta segunda parte para continuarmos a mostrar como sua vida foi cheia de mudanças, tragédias familiares e romances, luta política, bajulações, sucesso e muita, muita poesia declamada “de improviso”. Esperamos que você volte a se encantar com seus versos belíssimos, apaixonados e revolucionários.

As moradas

Por diversos motivos (veja nossa timeline abaixo), Castro Alves teve pouso em diversas cidades brasileiras: Salvador, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, onde viajou de uma para outra de tempos em tempos.

Que nasceu em Curralinho, na fazenda Cabaceiras, é bem sabido. Ainda novo a família se mudou para Salvador, onde começou ele iniciou seus estudos no Colégio Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas. Lá, foi colega de Rui Barbosa. Também foi lá que as primeiras demonstrações da vocação apaixonada e precoce pela poesia despontaram.

Aos 11 anos declamou seu primeiro poema, escrito em um caderninho que foi parar no lixo… Ainda nesta fase, participou de várias gincanas literárias.

A terceira cidade em que morou foi Recife, para onde se mudou com o irmão. Lá tentou vestibular e não passou (por duas vezes). Isso não o impediu de se envolver nas lutas dos movimentos estudantis. Em Recife conheceu Luis Gama, negro estudante da faculdade de direito, que mesmo sem se formar, defendia os direitos dos escravos nos tribunais.

Nesta época publicou seu primeiro poema contra a escravidão no jornal “A Primavera”, chamado “A canção do Africano”. O poema foi bem recebido pelos leitores e trouxe muita visibilidade para o poeta. A partir daí, ele começou a ser requisitado nas sessões públicas da Faculdade, nas sociedades estudantis, na plateia dos teatros, onde era sempre recebido pelos aplausos e ovações.

Finalmente começa o curso de Direito, mas logo em seguida vai à Bahia e fica um bom tempo lá com seu amigo Fagundes Varella. O ano é 1985 e, no bairro de Santo Amaro conhece Idalina, que é homenageada no poema “Aves de Arribação”. Nesta época também começa a escrever o poema “Os escravos”, mas morre antes de finalizá-lo.

Aí vem a fase do Rio de Janeiro. Seu irmão José Antônio é transferido para lá, com sintomas de desequilíbrio mental. Nesse meio termo conheceu a atriz portuguesa Eugênia Câmara (falaremos dela já já), que o apresentou a José de Alencar. José de Alencar enviou uma carta à Machado de Assis, apresentando o poeta, que veio conhece-lo. A troca de correspondência pelos dois virou o maior burburinho na imprensa, cheia de elogios ao poeta dos escravos.

Resolveu ir à São Paulo com Eugênia e lá recomeçou a faculdade de Direito. Lá declamou para os paulistanos a “Ode ao dois de julho”, no Teatro São José, sendo bastante aplaudido. Em abril escreveu “Tragédia no mar” que ficou conhecido com o título de “Navio negreiro”.

Continuou a produção intensa dos seus poemas líricos e heroicos, publicados nos jornais ou recitados nas festas literárias, que geravam grande repercussão. Tinha 21 anos e um sucesso incomparável na sua geração. Tornou-se um renomado influenciador literário e político no Brasil.

Parte II

Veja a Parte I da timeline aqui.

As mulheres

Castro Alves tem uma história romântica repleta de amores, perdas e saudades. Dizem por aí que era mulherengo. Com tanto sucesso e bajulação, era difícil resistir às tentações. O que sabemos, na verdade, é que teve alguns grandes amores e estas mulheres foram peças fundamentais de influência na sua poesia.

Agnese Trinci Murri, a última paixão de Castro Alves.

Agnese Trinci Murri, a última paixão de Castro Alves.

Por exemplo, a atriz portuguesa Eugênia Câmara, o grande amor da sua vida, inspirou alguns de seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero e saudade. Para Eugênia dedicou inúmeros poemas, como “Dalila”, “Meu segredo”, “Fatalidade” entre outros.

Tem também a Idalina, de Recife. Não sabemos muito sobre ela, mas o belíssimo poema “Aves de arribação” é em sua homenagem.

E, finalmente, podemos falar da professora italiana de canto e de piano de sua irmã, Agnèse Trinci Murri. Uma amor não consumado pelo qual dedicou os poemas  “Noite de maio”, “Versos para música”, “Remorso”, “Gesso e bronze”, “Aquela mão”, “Longe de ti”, “Em que pensas”.

A saúde

Na saúde, duas tragédias: o tiro no pé de espingarda que acarretou na amputação do membro em 1869 e a tuberculose, que despontou na vida do poeta quando tinha apenas 16 anos. A doença o mataria em 6 de julho de 1871, às 15h30, no palacete do Sodré, junto a uma janela banhada pelo Sol.

Veja mais sobre a vida do poeta na Parte I deste artigo.